se eu pudesse leria todos os livros que gosto pra ti, como não posso, escrevo as palavras encantadas que me encantaram.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Manoel por Manoel
" Eu tenho um ermo enorme bem dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem. Quando era criança eu deveria pular muro do vizinho para catar goiaba . Mas não havia vizinho . Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto . Que lata era navio. Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual um filhote de gafanhoto. Cresci brincando no chão, entre formigas . De uma infância livre e sem comparamentos . Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação. Porque se a gente fala a partir de ser criança , a gente faz comunhão : de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças , de um pássaro e sua árvore. Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas . Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor."
( o doce Manoel de Barros no livro Memórias Inventadas - Terceira Infância )
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Amuleto - Roberto Bolãno
"Ai, lembrar disso me faz rir. Que vontade de chorar! Estou chorando? Vi tudo e, ao mesmo tempo, não vi nada. Entendem o que quero dizer? Sou a mãe de todos os poetas e não permiti ( ou o destino não permitiu ) que o pesadelo me desmontasse. As lágrimas agora escorrem por minhas faces estragadas. Eu estava na faculdade naquele 18 de setembro em que o exército violou a autonomia e entrou no campus para prender ou matar todo o mundo. Não. Na Universidade não houve muitos mortos. Foi em Ilatelolco. Esse nome há de ficar em nossa memória para sempre! Mas eu estava na faculdade quando o exército e os granadeiros entraram e baixaram o cacete na gente.Coisa mais incrível. Eu estava no banheiro, num dos banheiros de um dos andares da faculdade, o quarto, creio, não posso precisar.Estava sentada na latrina , com a sia arregaçada, como diz o poema ou a canção, lendo aquelas poesias tão delicadas de Pedro Garfias, que tinha morrido fazia um ano, dom Pedro tão melancólico, tão triste da Espanha e do mundo em geral, quem iria imaginar que eu estaria lendo no banheiro justo no momento em que aqueles granadeiros babacas entravam na universidade. Acho, permitam-me este inciso, que a vida está repleta de coisas enigmáticas, pequenos acontecimentos que só estão esperando o contato epidérmico , nosso olhar para se desencadearem numa série de fatos causais que, depois, vistos através do prisma do tempo, não podem deixar de produzir em nós assombro e espanto. De fato, graças a Pedro Garfias, aos poemas de Pedro Garfias e a meu inveterado vício de ler no banheiro , fui a última a saber que os granadeiros tinham entrado, que o exército tinha violado a autonomia universitária e que, enquanto minhas pupilas percorriam os versos daquele espanhol morto no exército , os soldados e granadeiros estavam preenchendo e baixando o cacete em todo o mundo que encontravam pela frente, sem que importasse sexo ou idade, condição civil ou status adquiridos ( ou presenteado ) no intrincado mundo das hierarquias universitárias."
( Auxilio Lacouture , artista meio hippie e louca, imigrante uruguaia, andarilha - personagem inspirada na pintora Alcira, que de fato escapou da repressão ao se esconder por semanas no banheiro feminino de um dos andares da Faculdade de Filosofia e Letras em setembro de 1.968 ).
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Meu Tio - Jean - Claude Carrière - romance baseado no filme de Jacques Tati
" Cortar, torrar, adoçar, apimentar, salgar, pressionar e arrumar, cortar, torrar...sanduíches e petits-fours, pernil de cordeiro recheado, presunto cru, presunto cozido e presunto light, fatias de tomate, um pouco de gema de ovo e salada verde...
Geladeira abarrotada, cozinha trepidante, especiarias, condimentos, azeitonas pretas, azeitonas verdes e pepinos em conserva...Bandejas estreitas, engradados, cavaletes, cubos de gelo se chocando, vidros e canudinhos, cinzeiros , pratinhos, garfinhos, faquinhas, guadanapinhos de papel...
O chá, o suco de frutas, a água mineral, as mesinhas para copos, contar cadeiras, recontar...Cortar, tostar, adoçar, apimentar, salgar...
- Georgette!!
- Pois não, senhora.
-Preciso de ajuda! Não vê que assim eu nunca vou terminar?! Você deixa tudo para eu fazer, é inacreditável! Charles ! A campainha!
- Onde?
- No portão, oras! Me ajude !
Meu pai abandonando o cestinho e o alicate, ligou o chafariz e abriu o portão. Apareceu um árabe na entrada do jardim, lá longe, um vendedor de tapetes carregando retalhos coloridos.
Eu mesmo, naquele dia, me deixei levar por aquela confusão toda.
- Pode deixar - disse meu pai, cortando o jato do chafariz.
- O que é ?
- Nada, nada. Não se preocupe.
O árabe estava plantado imóvel na entrada do jardim. Agitava de leve a mercadoria, mas não dava para entender o que estava dizendo: tinha muito barulho na casa.
Meu pai berrou:
-Não, não precisamos de nada!
O árabe cabeça-dura não ia embora e continuava a sacudir os tapetes flamejantes.
-Não,não vamos comprar tapetes! - berrou meu pai, levemente nervoso. - O que o senhor quer?...Mas eu já disse...Já temos tudo!...Como? ...Não estou ouvindo! Como? Oh!
Vi meu pai empalidecer e entendi na mesma hora que ele.
Ele se ergueu com desespero até o botão do chafariz e disse, na direção da cozinha:
- É a vizinha..."
( o pai confundindo a vizinha com um vendedor árabe e ainda tantas outras confusões que ainda aconteceriam na garden-party que a mãe de Gérard estava preparando. Um livro leve e divertido, uma delícia !! ).
Geladeira abarrotada, cozinha trepidante, especiarias, condimentos, azeitonas pretas, azeitonas verdes e pepinos em conserva...Bandejas estreitas, engradados, cavaletes, cubos de gelo se chocando, vidros e canudinhos, cinzeiros , pratinhos, garfinhos, faquinhas, guadanapinhos de papel...
O chá, o suco de frutas, a água mineral, as mesinhas para copos, contar cadeiras, recontar...Cortar, tostar, adoçar, apimentar, salgar...
- Georgette!!
- Pois não, senhora.
-Preciso de ajuda! Não vê que assim eu nunca vou terminar?! Você deixa tudo para eu fazer, é inacreditável! Charles ! A campainha!
- Onde?
- No portão, oras! Me ajude !
Meu pai abandonando o cestinho e o alicate, ligou o chafariz e abriu o portão. Apareceu um árabe na entrada do jardim, lá longe, um vendedor de tapetes carregando retalhos coloridos.
Eu mesmo, naquele dia, me deixei levar por aquela confusão toda.
- Pode deixar - disse meu pai, cortando o jato do chafariz.
- O que é ?
- Nada, nada. Não se preocupe.
O árabe estava plantado imóvel na entrada do jardim. Agitava de leve a mercadoria, mas não dava para entender o que estava dizendo: tinha muito barulho na casa.
Meu pai berrou:
-Não, não precisamos de nada!
O árabe cabeça-dura não ia embora e continuava a sacudir os tapetes flamejantes.
-Não,não vamos comprar tapetes! - berrou meu pai, levemente nervoso. - O que o senhor quer?...Mas eu já disse...Já temos tudo!...Como? ...Não estou ouvindo! Como? Oh!
Vi meu pai empalidecer e entendi na mesma hora que ele.
Ele se ergueu com desespero até o botão do chafariz e disse, na direção da cozinha:
- É a vizinha..."
( o pai confundindo a vizinha com um vendedor árabe e ainda tantas outras confusões que ainda aconteceriam na garden-party que a mãe de Gérard estava preparando. Um livro leve e divertido, uma delícia !! ).
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
A Maleta Do Meu Pai - Orhan Pamuk
" Mas a literatura nunca é uma preocupação apenas nacional. O escritor que se recolhe e antes de mais nada empreende uma viagem para dentro de si mesmo haverá de descobrir ao longo dos anos a regra eterna da literatura: é preciso ter o talento de contar as próprias histórias como se fossem histórias dos outros, e contar as histórias dos outros como se fossem suas, porque é isso a literatura. Mas antes é preciso viajar pelas histórias e pelos livros de outros."
( trecho do discurso da cerimônia de entrega do prêmio nobel de literatura de 2007).
" O anjo da inspiração ( que visita regularmente alguns e raramente outros ) favorece os escritores dotados de esperança e confiança, e é quando o escritor se sente mais só, quando ele mais duvida dos seus esforços, dos seus sonhos e do valor do que escreve - quando acha que a sua história é só a sua história - é em momentos assim que o anjo decide revelar-lhe histórias, imagens e sonhos que irão evocar o mundo que ele pretende construir. Quando penso nos livros a que dediquei toda minha vida, o que mais me surpreende são esses momentos em que eu sentia que as frases, os sonhos e as páginas que me deixavam tão arrebatado de felicidade não vinham da minha imaginação, que era outro poder que as encontrava e, generoso, me presenteava com elas."
( muitas vezes me senti sozinha enquanto escrevia meu projeto de um livro infantil e também várias vezes achava que minhas histórias eram apenas minhas, sem nada de especial e quando me senti assim tão sozinha fui agraciada com esse anjo e ele me abençoou! Lindos depoimentos nesse livro de Orhan Pamuk , que homenageia seu pai ).
GRande Sertão : Veredas - João Guimarães Rosa
" Diz que direi ao senhor o que nem tanto é sabido : sempre que se começa a ter amor a alguém , no ramerrão , o amor pega e cresce é porque , de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na ideia , querendo e ajudando, mas , quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente inteiriço fatal, carente de querer, e é um facear com as surpresas. Amor desse , cresce primeiro; brota é depois."
" Aquela mandante amizade. Eu não pensava em adiação nenhuma, de pior propósito. Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Diga o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego. Era ele estar por longe, e eu só nele pensava. E eu mesmo não entendia então o que aquilo era? Sei que sim. Mas não. E eu mesmo entender não queria. Acho que. Aquela meiguice, desigual que ele sabia esconder o mais de sempre. E em mim a vontade de chegar todo próximo, quase uma ânsia de sentir o cheiro do corpo dele, dos braços, que ás vezes adivinhei insensatamente - tentação dessa eu esparecia, aí rijo comigo renegava. Muitos momentos."
" Todos os sucedidos acontecendo , o sentir forte da gente - o que produz os ventos. Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. Deus é que me sabe. O Reinaldo era Diadorim - Mas Diadorim era um sentimento meu."
( As filosofias de amor de Riobaldo - que achei tão lindas...)
terça-feira, 28 de junho de 2011
Baleia - GRaciliano Ramos
" Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes."
( trecho de Vidas Secas sobre a cadelinha Baleia que inicialmente era conto, depois capítulo e por fim a personagem mais carismática do livro, a que mais gosto ).
quarta-feira, 22 de junho de 2011
O Porco do Morin - Guy de Maupassant
" Nós estávamos sós, completamente sós, Rivet e o tio haviam desaparecido numa curva da alameda, e eu fiz uma longa declaração,longa, doce, apertando e beijando-lhe os dedos. Ela escutava aquilo como uma coisa agradável e nova, sem saber ao certo no que deveria acreditar.
Eu acabei por me sentir oprimido, trêmulo, e suavemente, enlaceia-a pela cintura.
Eu lhe falava baixinho. Ela parecia morta, de tão cismada que estava.
Depois sua mão encontrou a minha e apertou-a , eu fui encerrando lentamente o seu talhe num trêmulo e crescente abraço, ela não se movia absolutamente, eu roçava a sua face com a minha boca, e de súbito os meus lábios sem procurar encontraram os seus. Foi um longo , interminável beijo, e teria durado ainda muito tempo , se eu não tivesse ouvido um significativo "hum-hum" a alguns passos atrás de mim.
Ela fugiu por debaixo das árvores. Eu me voltei e avistei Rivet, que vinha ao meu encontro."
( Labarbe narrando um de seus encontros com Henriette , no conto "O Porco do Morin" - um dos meus favoritos do Maupassant . )
Eu acabei por me sentir oprimido, trêmulo, e suavemente, enlaceia-a pela cintura.
Eu lhe falava baixinho. Ela parecia morta, de tão cismada que estava.
Depois sua mão encontrou a minha e apertou-a , eu fui encerrando lentamente o seu talhe num trêmulo e crescente abraço, ela não se movia absolutamente, eu roçava a sua face com a minha boca, e de súbito os meus lábios sem procurar encontraram os seus. Foi um longo , interminável beijo, e teria durado ainda muito tempo , se eu não tivesse ouvido um significativo "hum-hum" a alguns passos atrás de mim.
Ela fugiu por debaixo das árvores. Eu me voltei e avistei Rivet, que vinha ao meu encontro."
( Labarbe narrando um de seus encontros com Henriette , no conto "O Porco do Morin" - um dos meus favoritos do Maupassant . )
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Caetés - Graciliano Ramos - Mais um trechinho...
" -Uma perfeição, o rio , murmurei. Muito branco, cheio de pedras, e largo, um rio que faz gosto. É trabalho seu, d. Marta? E aqueles patinhos de celulóide dão uma graça...Que rio será esse, d. Josefa? É o Amazonas?
Elas aventuraram que talvez fosse o Jordão.
- O Jordão? É verdade, deve ser o Jordão. Onde foi que Jesus nasceu? Em Nazaré...ou em Belém...O Jordão fica por essas bandas. As senhoras sabem se ele passa por Nazaré...ou por Belém? Em todo o caso deve passar perto, o Amazonas, que doidice! É o Jordão, sem dúvida. Pois sim senhoras, um Jordão excelente.
Receberam o elogio, sérias."
"Ia neste ponto, esfregava as mãos e procurava meio de escapar-me , quando Luísa chegou à porta, em companhia de d. Engrácia, d. Priscilla e Vitorino. A Teixeira, que veio pouco depois, apontou-me com um gesto cômico:
-Por aqui, em adoração. Estava lá embaixo, no bazar, chorando com febre.Quis por força ver o presépio, tanto fez que o trouxemos. Sabe muito : a geografia da Palestina e o Evangelho.
Luísa atirou-me um olhar de desprezo, tive a impressão de que em mim havia um desmoronamento. Nada opus aos gracejos da Teixeira."
( João Valério faz- me rir... )
Elas aventuraram que talvez fosse o Jordão.
- O Jordão? É verdade, deve ser o Jordão. Onde foi que Jesus nasceu? Em Nazaré...ou em Belém...O Jordão fica por essas bandas. As senhoras sabem se ele passa por Nazaré...ou por Belém? Em todo o caso deve passar perto, o Amazonas, que doidice! É o Jordão, sem dúvida. Pois sim senhoras, um Jordão excelente.
Receberam o elogio, sérias."
"Ia neste ponto, esfregava as mãos e procurava meio de escapar-me , quando Luísa chegou à porta, em companhia de d. Engrácia, d. Priscilla e Vitorino. A Teixeira, que veio pouco depois, apontou-me com um gesto cômico:
-Por aqui, em adoração. Estava lá embaixo, no bazar, chorando com febre.Quis por força ver o presépio, tanto fez que o trouxemos. Sabe muito : a geografia da Palestina e o Evangelho.
Luísa atirou-me um olhar de desprezo, tive a impressão de que em mim havia um desmoronamento. Nada opus aos gracejos da Teixeira."
( João Valério faz- me rir... )
Caetés - Graciliano Ramos
"De repente levantei-me, fui á sala de jantar , chamei :
- Ó d. Maria José, faça o favor. A senhora sabe como se prepara uma buchada?
Ela veio, paciente, enxugando os dedos no avental:
- Sei. O senhor quer comer buchada ?
- Não. Isso é comida de selvagem. Os caetés. Depois lhe conto.
- Mas que interesse...
- É história comprida. Preciso saber como se cozinha um homem. Como é, d. Maria ?
- Um homem? Está aí! Foi o conhaque.
E voltou-me as costas.
- Espera lá criatura.Quem lhe falou em homem? Um bode , é claro, um carneiro.Tira-se o couro do bicho, esquarteja-se . Até aí eu sei.Como é o resto?
- Lava-se tudo muito bem lavado, começou a hospedeira desconfiada.
- Exatamente, numa gamela, já ouvi dizer.E viram-se as tripas pelo aveso com uma vara, também já ouvi dizer. Mas os caetés não tinham higiene.
- Como?
- Uma observação à-toa.Continue.
- É só, está pronto.
- Pronto o quê, d. Maria? A senhora não está vendo que ninguém vai comer aquilo cru?
Ela forneceu-me algumas noções, que reputei preciosas.
- Muito obrigado, d. Maria José. Vou preparar o Sardinha pela sua receita e misturo tudo com pirão de farinha de mandioca. Fica uma porcaria.
- O senhor não quer tomar uma xícara de café sem açúcar?
- Eu? pensa que estou bêbedo? Estou no meu tino perfeito. A propósito, que horas são?
- Cinco. Os outros não devem tardar.
- Cinco? Será possível? Ora veja. A arte é coisa admirável.Com a preocupação de arranjar o jantar dos índios , esqueci o meu jantar.Pois eles que esperem, não comem hoje. E traga-me o conhaque. Deus lhe pague, d. Maria.A senhora acaba de prestar um grande serviço á pátria."
( o personagem João Valério em uma de suas inspirações para escrever seu romance "Caetés" ).
terça-feira, 7 de junho de 2011
Manuelzão e Miguilim - João Guimarães Rosa
" Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com tio Terêz, Miguilim padeceu tanta saudade de todos e de tudo, que ás vezes nem conseguia chorar e ficava sufocado."
" Você acha que a gente devia de fazer promessa aos santos, para ficar gostando de parentes?"
"Dito, vamos ficar nós dois sempre um junto com o outro, mesmo quando a gente crescer, toda a vida?" "Pois vamos".
"Miguilim , você é meu amigo". - "Amigo grande, feito gente grande, tio Terêz?" "É sim, Miguilim. Nós somos amigos.Você tem mais juízo do que eu..."
( alguns trechos de "Manuelzão e Miguilim" de João Guimarães Rosa )
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